O transporte público na Grande Ilha de São Luís enfrenta seu quinto dia de paralisação, com greves simultâneas nas empresas 1001 e Expresso Marina. A mobilização começou na última sexta-feira (14), iniciada pelos trabalhadores da 1001, e na segunda-feira (17), funcionários da Marina também cruzaram os braços, ampliando o impacto sobre milhares de passageiros.
Nesta terça-feira (18), as duas empresas permanecem paradas. Os rodoviários reivindicam pagamento de salários e tíquete-alimentação atrasados, férias vencidas e rescisões não quitadas. Até o momento, nenhuma das empresas apresentou propostas para solucionar o impasse. O Sindicato dos Rodoviários alerta que outras viações podem aderir ao movimento ao longo da semana.
Com cerca de 270 ônibus a menos em circulação, usuários enfrentam longas esperas nas paradas e precisam recorrer a alternativas como vans, caronas e aplicativos de mobilidade. A alta demanda provocou uma forte elevação nos preços das corridas — em alguns horários, passageiros relatam tarifas duas vezes mais caras que o habitual. Segundo um usuário, o valor cobrado por motos de aplicativo chegou a superar o preço de carros, tornando o serviço inviável para muitos trabalhadores.
Linhas afetadas
Expresso Marina atende bairros como: Vila Cascavel, Mato Grosso, Tajipuru, Tajaçuaba, Vila Vitória, Cajupary/Nova Vida, Vila Aparecida, Cidade Olímpica, Santa Clara, Socorrão Rodoviária, São Raimundo/Bandeira Tribuzzi, Uema/Ipase, Janaína, Cidade Operária/São Francisco, José Reinaldo Tavares, Maiobinha, Tropical/Santos Dumont e Tropical/São Francisco.
Já a paralisação da 1001, iniciada no dia 14, prejudica pelo menos 15 bairros:
Ribeira, Vila Kiola, Vila Itamar, Tibiri, Cohatrac, Parque Jair, Parque Vitória, Alto do Turu, Vila Lobão, Vila Isabel Cafeteira, Vila Esperança, Pedra Caída, Recanto Verde, Forquilha e Ipem Turu.
Impasse financeiro
Uma reunião entre o Sindicato dos Rodoviários e a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB) está marcada para as 16h desta terça-feira (18). Em discussão, o subsídio que mantém parte da frota de ônibus em circulação.
O prefeito Eduardo Braide afirmou que o repasse integral só será feito quando 100% da frota estiver nas ruas, e que o pagamento será realizado diretamente via Justiça do Trabalho. Já o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) diz estar disposto ao diálogo, mas acusa a Prefeitura de atrasar repasses que somam R$ 7 milhões, valor previsto em acordo homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA). Segundo o SET, o descumprimento agrava a crise e ameaça a operação do sistema.
O Sindicato dos Rodoviários reforça que a greve só terminará após o pagamento dos trabalhadores.
