Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (17), os ônibus das linhas metropolitanas e semiurbanas ficaram parados nas garagens, dando início à greve geral dos rodoviários, que afeta cerca de 700 mil usuários do transporte público. Toda a frota foi paralisada, gerando transtornos para a população, que precisou recorrer a transportes alternativos como vans, motos e aplicativos para tentar chegar aos seus destinos.
Impasse nas Negociações
A paralisação foi motivada pela falta de acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (Sttrema) e os empresários do setor. Na última sexta-feira (14), uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MA) não resultou em consenso, levando à decisão pela greve geral.
Os rodoviários reivindicam reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho. Desde novembro de 2024, o Sttrema apresentou ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET) uma proposta de Convenção Coletiva de Trabalho para 2025, visando garantir os direitos da categoria. No entanto, após quatro reuniões, duas audiências de mediação e uma audiência de conciliação, não houve avanço nas negociações.
Tentativas de Conciliação e Alegações do SET
Na audiência realizada no TRT-MA, mediada pelo desembargador Luiz Cosmo, participaram representantes dos rodoviários, do SET, da Agência Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (MOB) e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT). Segundo o Sttrema, apesar dos esforços para evitar a paralisação, o SET alegou dificuldades financeiras e não apresentou contraproposta satisfatória.
O sindicato patronal ressaltou que as negociações esbarraram na falta de apoio financeiro por parte do Estado e do município para garantir a sustentabilidade do sistema de transporte.
Liminar Judicial para Circulação de 80% da Frota
Na última quarta-feira (12), o SET obteve na Justiça uma liminar determinando que 80% da frota circule durante a greve, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. A decisão também proíbe o Sttrema de realizar operações de protesto como “catraca livre”, “tartaruga” (redução proposital da velocidade para gerar congestionamentos) e bloqueios nas garagens.
O diretor executivo do SET, Paulo Pires, destacou que a medida visa minimizar os prejuízos para a população e o impacto econômico na cidade. “A paralisação afeta o comércio, escolas, empresas prestadoras de serviços e órgãos públicos. A cidade não pode parar”, afirmou.
Omissão do Poder Público
O SET também criticou a falta de apoio do Estado e do município na busca por soluções para o impasse, o que, segundo a entidade, contribui para a crise no sistema de transporte coletivo. Enquanto isso, a greve continua e o impasse permanece, afetando diariamente milhares de usuários.