Próximo ao São João vários grupos folclóricos da região metropolitana estão ensaiando para realizar as apresentações nos arraias.
Já estão se preparando a Companhia Barrica, o Cacuriá do Candinho, e o Boi de Axixá.
E você qual a brincadeira que mais gosta?
Era o ano de 1985. Uma geração de jovens apaixonada por música e cultura popular queria vivenciá-las fora do circuito dos festivais e dos palcos dos teatros. Decidiu ir às ruas e criar um folguedo sem a intenção de descaracterizar o que já existia. Vestindo indumentária mesclando palha de buriti e panos de chita, segurava um boi em miniatura e, entre becos e vielas, seguia cantarolando na cadência de toadas inéditas. Nascia o Boizinho Barrica, uma das mais criativas manifestações folclóricas do Maranhão.
Passaram-se 40 anos de uma brincadeira que virou coisa séria. O boizinho cresceu e ganhou o mundo. Bailarinos, músicos e cantores galgaram cenários cosmopolitas e hastearam a bandeira do Maranhão em diferentes continentes.
Por amor à brincadeira e à cultura popular e não por pagamento de promessa, o tradicional Boi de Axixá foi fundado em 1959 por Francisco Naiva. Com o passar dos anos, várias famílias já passaram pelo detentor do mais antigo sotaque de orquestra, fazendo a paixão pelo boi passar dos pais para os filhos e tornando a tradição presente em várias gerações.
Antes, a brincadeira era composta por soldados, caboclos de flecha, índios e campeadores; já as mulheres eram proibidas de brincar. Depois, os índios e soldados saíram e elas foram inseridas, também como índias, sendo assim até a atualidade. Nas últimas décadas, a presença de mulheres protagonizando espaços de destaque nas brincadeiras é cada vez maior.
Com o tempo, o Boi de Axixá manteve algumas tradições, como um sotaque diferenciado e mais cadenciado, o que o torna único em relação aos outros. Como referência do São João maranhense, as músicas são cantadas por artistas renomados e vários outros grupos de bumba meu boi. Todos em um só sentimento: o carinho e paixão por tudo o que a manifestação representa.
O cacuriá é dançado em pares, com formação em círculo , ao som de instrumentos de percussão chamados caixas do Divino, que são pequenos tambores. O ritmo é uma derivação do carimbó maranhense e é bastante dançante, com rodopios e coreografias que prendem a atenção. Inicialmente, o cacuriá era praticado unicamente com as caixas, mas aos poucos foram acrescidos outros instrumentos, como banjo, violão, clarinete e flauta. A percussionista maranhense Dona Teté (falecida) contribuiu para expandir e tornar o ritmo conhecido do grande público.